Leônidas dá adeus
O que eu sempre senti desde que aquilo aconteceu poderia ser mimetizado em um exercício mental. Suponha que há um ponto em sua vida, um segundo, dias, meses, que definiram muito fortemente suas percepções sobre ela: na verdade, acho que uma boa conceituação de transição adolescente-adult@ deve passar pela experimentação de tal ‘ponto de ruptura’, seja de que maneira se dê este ponto, cada um tem o seu. É, que nem cu mesmo.
Pois bem. E então pense que este ponto importante de sua vida é um ponto que pode lhe levar à marginalização social, risco de ser vítima de violência, uns etcs não exatamente agradáveis.
É esse o sentimento, junto à pergunta sobre o que fazer a partir deste ‘ponto’: esconder à própria lembrança? Negar suas consequências lógicas em prol de uma existência ‘aprazível’? Ou enfrentar a um tudo sem dó de si próprio?
A única coisa certa, ali, parecia ser o sofrer.
Um deles, porém, parecia um sofrer justo, quase bonito diante da História (com H sim). E talvez nem valesse a pena, mas quem disse que ‘valer a pena’ era o objetivo. O objetivo era viver. E morrer bem.
Uma vez me disseram: o grande objetivo da vida é preparar-se para uma boa morte. E derivando algo desta frase, se porventura não há morte, não há necessidade de preparação.
Neste sentido é que proclamo, sem mais delongas, que aceito minha mortalidade e minha preparação para uma boa morte, que oxalá seja um caminho bonito e sincero.
Um eterno abraço a todos.
Leônidas Almeida de Araújo
(último discurso do capitão Leônidas, em seu desligamento do programa, desvirtualizado por escolha própria, razões pessoais. Ano a definir)




