O que se diz sob tortura não tem valor

Esse foi o entendimento do juiz militar Keith J. Allred, capitão da Marinha, no julgamento do ex-motorista de Osama bin Laden, Salim Ahmed Hamdan:

“The interests of justice are not served by admitting these statements because of the highly coercive environments and conditions under which they were made.”

Tal decisão pode abrir um precedente importante, rejeitando-se a tortura – ou “métodos coercitivos” – como instrumento de investigação em cortes militares, uma das mais significativas e criticadas diferenças entre estas e as instâncias civis. Se semelhante raciocínio for aplicado a outros casos, como os relacionados ao 11/Set., o trabalho dos procuradores será bastante dificultado, posto que há evidências de tratamento bastante pior que o dispensado a Hamdan, como o uso do waterboarding (simulação de afogamento), como analisa Morris Davis, coronel da Aeronáutica:

“There were clearly others who experienced much more traumatic treatment. If the judge has a problem with Hamdan, there are probably equal or greater problems with other cases.”

~ por Douglas em Julho 22, 2008.

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